O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, lançou em 12 de maio de 2026 o programa federal "Brasil Contra o Crime Organizado". A iniciativa mobiliza R$ 11 bilhões — sendo R$ 1,06 bilhão em investimento federal direto para 2026 e R$ 10 bilhões em linha de crédito do Fundo de Investimento em Infraestrutura Social (FIIS), gerido pelo BNDES.
Wellington César assumiu o Ministério da Justiça em 15 de janeiro de 2026, substituindo Ricardo Lewandowski, que deixou a pasta para retornar à vida privada. Desde então, o ministro priorizou a construção de uma estratégia nacional de combate às organizações criminosas que substituísse ações pontuais por uma abordagem estrutural de longo prazo.
Os quatro pilares
O programa está estruturado em quatro eixos de ação com orçamentos específicos:
1. Asfixia financeira do crime (R$ 388,9 milhões): Bloquear e confiscar recursos de facções por meio de inteligência financeira, rastreamento de criptoativos e parcerias com o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) e o Banco Central. O objetivo é atacar o modelo de negócio das organizações criminosas, cortando o fluxo de caixa que financia recrutamento, armamento e suborno.
2. Segurança prisional (R$ 330,6 milhões): Ampliar a capacidade de monitoramento eletrônico dentro dos presídios, instalar bloqueadores de sinal de celular de nova geração e construir alas de segurança máxima para isolar lideranças de facções que coordenam crimes externos de dentro das unidades prisionais.
3. Qualificação de homicídios (R$ 201 milhões): Investir em perícia criminal, capacitação de delegacias estaduais e integração de bancos de dados para aumentar o índice de elucidação de crimes contra a vida — hoje abaixo de 10% em vários estados. A estratégia parte do pressuposto de que a impunidade é o principal fator de perpetuação da violência.
4. Combate ao tráfico de armas (R$ 145 milhões): Reforçar a fiscalização nas fronteiras, ampliar a atuação do Centro de Gerenciamento das Fronteiras (CGFron) e intensificar parcerias com Paraguai, Bolívia e Colômbia para interromper rotas de entrada de armamentos ilegais.
A operação policial
Paralelamente ao programa estrutural, o governo deflagrou em 11 de maio uma operação policial coordenada pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), pela Diretoria de Operações Integradas (Diopi) e pelo CGFron, com prazo de 90 dias — de 11 de maio a 8 de agosto de 2026.
A ação abrange nove estados: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Mato Grosso do Sul, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe — todos com altos índices de violência e presença documentada de organizações como PCC e Comando Vermelho.
Nos primeiros quatro dias de operação (11 a 14 de maio), foram apreendidos aproximadamente 2.192 kg de drogas, incluindo maconha, skunk, crack, cocaína, oxicodona e a droga sintética conhecida como Ice. Em Sidrolândia, no Mato Grosso do Sul, o Departamento de Operações de Fronteira (DOF-MS) apreendeu 2.026,2 kg de maconha na rodovia MS-162, carregamento avaliado em R$ 4,2 milhões.
Contexto: queda nos homicídios, mas alerta de subnotificação
O lançamento do programa ocorre semanas após a publicação do Atlas da Violência 2026, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O relatório aponta que o Brasil registrou 42.590 homicídios em 2024 — queda de 7,4% em relação ao ano anterior e o menor nível desde 2014.
No entanto, o mesmo relatório acende um sinal de alerta: os chamados homicídios ocultos, casos em que a causa real da morte é encoberta em registros oficiais, cresceram 88,6% entre 2023 e 2024 — de 3.755 para 7.083 casos —, o que pode estar mascarando parte da violência real por trás dos dados positivos de redução.
Fontes: Agência Brasil/EBC (12/05/2026); Agência Gov/EBC; gov.br/mj; gov.br/casacivil; DOF-MS. Dados verificados por LED Report com base em Jornal de Brasília, Revista Fórum e Atualidade Política.

