O presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou em 29 de maio de 2026, em evento realizado em São Paulo, o "Plano Participativo pelo Brasil e pelos Brasileiros" — um documento de 180 páginas que combina o balanço do mandato atual com propostas programáticas para o período 2027-2030. A coordenação do plano coube a Sergio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras e figura histórica do PT.

O lançamento marcou o início oficial da estratégia de campanha do governo para a eleição presidencial de outubro de 2026, embora o Palácio do Planalto tenha evitado o uso explícito da linguagem eleitoral, preferindo apresentar o documento como um exercício de transparência e prestação de contas à sociedade.

Empregos e dados do mandato

O principal número apresentado pelo governo é a criação de mais de 5 milhões de empregos formais desde o início do mandato, em janeiro de 2023. Os dados são respaldados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), do Ministério do Trabalho e Emprego: a criação líquida acumulada no período foi de aproximadamente 5,8 milhões de postos (2023: 1,785 milhão; 2024: 2,126 milhões; 2025: 1,279 milhão; primeiro trimestre de 2026: 613 mil).

O monitor do mercado de trabalho do Monitor Mercantil havia registrado, ao fim de dezembro de 2025, o cruzamento da marca de 5 milhões de empregos criados no mandato — cifra que a equipe de comunicação do governo passou a usar como principal argumento econômico da campanha.

Propostas para 2027–2030

Na parte programática, o plano apresenta diretrizes para quatro grandes eixos: transição energética e minerais críticos; neoindustrialização e reinserção soberana no comércio global; reforma da educação pública e primeira infância; e ampliação da malha de proteção social com foco na redução da pobreza extrema.

O documento dedica um capítulo específico à questão dos minerais estratégicos — lítio, terras-raras e cobre —, tema que ganhou relevância após a reunião de Lula com o presidente Donald Trump na Casa Branca e diante do crescimento da demanda global para a indústria de baterias e veículos elétricos.

Recepção política

A oposição reagiu com críticas, classificando o documento como "propaganda eleitoral disfarçada de planejamento de governo". Aliados, por outro lado, celebraram o lançamento como demonstração de que o governo chega à campanha com agenda positiva e dados concretos para apresentar ao eleitorado.

Economistas independentes ouvidos pelo LED Report alertam que as metas do plano para 2027-2030 dependem de uma trajetória fiscal que, no cenário atual — com Selic acima de 13% e IPCA acima da meta —, apresenta incertezas relevantes. A credibilidade do plano, dizem, será testada nos próximos meses pela capacidade do governo de equilibrar o crescimento econômico com a responsabilidade fiscal exigida pelo mercado.

Fontes: vermelho.org.br (31/05/2026); pt.org.br; CAGED/Ministério do Trabalho e Emprego; Monitor Mercantil (30/12/2025). Nota: fontes primárias sobre o plano são partidárias; dados de emprego são verificáveis via CAGED/MTE.