O banco de investimentos Goldman Sachs divulgou projeção revisada para o câmbio brasileiro, estimando que o dólar deve chegar a R$ 4,90 em um horizonte de três meses — uma aposta de valorização adicional do real frente à moeda norte-americana. A instituição destaca o Brasil como o país emergente com o melhor desempenho cambial no acumulado de 2026, com o real liderando a valorização entre as principais moedas do mundo no período.

O principal driver apontado pelo Goldman é o diferencial de juros: com a Selic acima de 13% ao ano e os juros norte-americanos em patamar menor, o Brasil oferece um dos maiores retornos reais ajustados pelo risco entre as economias emergentes — o que atrai fluxo de capital estrangeiro para ativos brasileiros, valorizando o real.

Carry trade e fluxo de capitais

A estratégia de carry trade — tomar emprestado em moeda de juros baixos para investir em moeda de juros altos — tem favorecido o real de forma consistente em 2026. Fundos estrangeiros de renda fixa e de câmbio ampliaram suas posições em títulos brasileiros, em especial os indexados à Selic, aproveitando o diferencial de rentabilidade.

O fluxo cambial positivo também é sustentado pelas exportações recordes do agronegócio brasileiro. Com exportações de US$ 348,7 bilhões em 2025 e a continuidade da demanda chinesa por soja e minério de ferro em 2026, a entrada de dólares no país tem sido consistente, contribuindo para a pressão apreciativa sobre o real.

Riscos no horizonte

O Goldman Sachs reconhece, no entanto, que a projeção de valorização do real está sujeita a riscos significativos. O principal deles é a deterioração fiscal: o Boletim Focus desta semana aponta que o mercado financeiro projeta IPCA acima da meta e Selic acima de 13% no fim do ano — o que indica que a inflação persiste, dificultando o início do ciclo de corte de juros que poderia atrair novos investimentos em renda variável.

Outro risco é a proposta de tarifa de 25% dos Estados Unidos sobre importações brasileiras. Uma guerra comercial que resulte em retaliações e redução nas exportações poderia diminuir o fluxo de dólares e pressionar o real para baixo — invertendo a tendência positiva do ano.

Por fim, o calendário eleitoral de 2026 tende a aumentar a volatilidade cambial à medida que as candidaturas se consolidam e as propostas econômicas de cada campo ganham contorno mais nítido. Historicamente, eleições presidenciais brasileiras provocam oscilações relevantes no câmbio nos meses que antecedem o primeiro turno.

O real no contexto global

A liderança do real entre as moedas emergentes em 2026 contrasta com o desempenho de outras divisas da região. O peso argentino e o peso colombiano acumulam desvalorizações expressivas no período, enquanto o peso mexicano perdeu força diante das tensões comerciais com os EUA. A relativa estabilidade macroeconômica do Brasil — com inflação sob controle parcial e reservas internacionais robustas — coloca o real em posição diferenciada no cenário regional.

Fontes: Goldman Sachs Research (projeção cambial, maio/2026); InfoMoney ("Real lidera moedas em 2026 e Goldman projeta dólar a R$ 4,90 em três meses"); Boletim Focus/Banco Central (01/06/2026).